Abutres da Palavra


Ontem se iniciou o mês dedicado a Bíblia para os católicos. Não sei se por causa disso tive uma visão não muito agradável sobre os irmãos neopentecostais e sua fúria proselitista. Estava eu, na capela do cemitério, acolhendo a família de um paroquiano falecido e, enquanto não me paramentava (vestia túnica e estola), não sabiam que eu era padre e, portanto, pessoas pertecentes a essas novas igrejas aproximavam-se da família do falecido pedindo para fazer orações pela mesma, "pois o morto não precisa mais" afirmava um deles.
O interessante é que estive lá durante uma hora e apareceram dezenas deles, com bíblias enormes e pretas nas mãos. Fiquei até com receio de apanhar, quando me indentificasse. Eles, de terno e gravata, e eu, com camiseta de São José Operário. Eles, com suas bíblias, e eu, com um livro vermelho pequeno e com aspersório com água benta - Diga-se de passagem, livro vermelho! Melhor encapar o ritual com papel preto, pois já somos acusados de sermos comandados pelo capeta, ainda mais com livro vermelho!
Cansado de assistir à investida dos mesmos, como abutres ávidos, não pelo morto, mas pelos pedaços dos corações das pessoas sofridas pela morte, decidi pôr fim naquilo: vesti minha túnica, coloquei minha estola, abri meu ritual e apersório e comecei a exéquias de meu querido paroquiano.
E os abutres com suas enormes bíblias revoaram para o morto ao lado.
A dor da perda não deveria ser oportunidade para fazer nascer pessoas para Cristo, pois corre-se o risco de que, para essas pessoas, Jesus seja visto como uma solução para os problemas, e não uma experiência de vida. Nestes momentos, o ideal é fazer Cristo nascer na solidariedade com os que sofrem, num gesto último de despedidada de um amigo.

8 comentários:

  1. Valdete VieiraSep 2, 2011 06:09 AM

    Infelizmente acho que muitos de nós já tivemos alguma experiência deste tipo com essas pessoas que acham que anunciar a Cristo é falar mal das demais religiões e em especial da nossa, católica. Na verdade, são pessoas infelizes e inseguras. Infelizes porque vivem para criticar, julgar e condenar nossa religião; inseguras pelo mesmo motivo e porque buscam as pessoas na hora de maior sofrimento delas como na doença ou até mesmo no enterro de um ente querido. Quem tem a Cristo de verdade, não precisa fazer o que eles fazem pois esta não é atitude de cristãos. Cristo não condenava, Ele perdoava; Cristo não forçava as pessoas a seguirem-no, elas o faziam por amor e pelas atitudes dEele para com os outros; Cristo não odiava, Ele amava e orava. Como Ele mesmo disse: "Perdoa-os, eles não sabem o que fazem." É o que também nós precisamos fazer, além de orar muito e nos fortalecer na palavra de Deus.

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  2. O que me deixa chateada éo fato de além de o próprio homem ter criado a igreja deles já que foi Jesus Cristo que criou a igreja católica, eles se acharem melhor que os católicos, terem coragem de dizer que nós não somos cristãos e ainda por cima ficarem falando a respeito de nós termos em nossa igreja imagem e figuras além dos santos. Achoq eu eles podiam respeitar, não que se convertam ao catolicismo, mas que pelo menos não desdenhem e muito menos tenham preconceito conosco da msm forma que nós os aceitamos independente de seguirem uma religião que eles próprios criaram.



    email: nathy_bias@hotmail.com

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  3. Considero triste a postura de determinadas pessoas. Se Jesus era o amor, por que estas pessoas pregam a segregação? Conheço pessoas que dizem que a religião tal ou tal está errada. O próprio conceito de religião (religare - re-ligar a Deus) é a essência do amor de Cristo. Por que tanta necessidade de se estar "certo" (exatamente, entre aspas)? Se pararmos para pensar, pessoas, em todas as partes do mundo, se matam em virtude da intolerância religiosa. Hoje mesmo participei de um culto ecumênico, muito bonito e signficativo. Tanto o padre (um capelão militar) quanto o pastor (outro capelão militar) abordaram a mesma parábola, a do semeador. Ambos ressaltaram a importância de semearmos a palavra de Cristo por uma, duas, três, quantas vezes forem necessárias para fazer nascer o amor no coração dos homens. Para nós, católicos, é importante pensarmos em nossa conduta, não repudiando nossos irmãos, mas fazendo vê-los que o amor de Cristo é um só. André Gonçalves - professor.

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  4. Fernanda TavaresSep 2, 2011 04:56 PM

    Todo julgamento e 'pré-conceito'/preconceito é fundamentado na ignorância. Antes eu acreditava que ignorância era NÃO SABER, hoje concluí que ignorância, é NÃO QUERER SABER. Somos julgados por quem nunca vai querer conhecer o mínimo do que nos mantém firmes na nossa doutrina e fé. Conhecer não significa concordar, mas é um passo no caminho do respeito às diferenças. Reconheço o pouco que sei de outras doutrinas e o quanto ainda preciso conhecer sobre a minha, mas sinto-me feliz e completa por ser Católica e não tecer julgamentos quanto à crença alheia. Assim como aconteceu com o irmão enfraquecido pela dor da perda, esse assédio acontece todo o tempo quando nos encontramos tristes. São momentos difíceis que abrem as portas para a dúvida e para os 'sanguessuga' da fé, que vivem a oferecer falsas garantias em nome de Deus. A única e mais valiosa garantia que temos em Cristo é seu infinito amor. Muitos falam sobre esse amor, mas poucos o sentem e o vivem de fato. Quanto aos abutres, façamos como disse o Senhor a Pedro, quando este o questionou sobre o perdão aos irmãos que pecariam contra ele. Perdoemos, não até sete vezes, MAS ATÉ SETENTA VEZES SETE.
    fefeutavares@yahoo.com.br

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  5. Elvira VerissimoSep 5, 2011 04:10 PM

    Certa ocasião fui ao sepultamento de uma vizinha que era de uma igreja neopentecostal. Alguns presentes me conheciam e a maioria não, e começaram a observar o símbolo católico que eu carregava, o crucifíxo. Comecei a me sentir à parte, me senti solitária. Ao chegar o momento do corpo baixar a sepultura, o pastor começou a fazer uma longa oração e logo a seguir a perguntar aos presentes a que igreja congregavam. Não consegui entender no momento, qual o objetivo dessa atitude, pois não era o momento apropriado. A cada resposta, diziam: "LOUVADO SEJA, ALELUIA", pois todos eram da mesma igreja. Deixaram-me por último e respondi que era da Paróquia São Sebastião. Fez-se um silêncio ensurdecedor. Penso eu, que se isto acontece a pessoas que não estão preparadas, não só na convicção de sua fé, mas também psicologicamente, atinge fundo. É por testemunhos contrários ao de Jesus que faz crescer o indiferentismo, por isso diz um filósofo e teólogo que "A GÊNESIS DO ATEÍSMO (e eu acrescento) DO INDIFERENTISMO, É UM MAU CRISTIANISMO".

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  6. Rayane InácioSep 6, 2011 10:08 AM

    O que me vem sempre a mente e principalmente no coração é:Como Nosso Senhor fica tão triste em ver esta intolerância religiosa entre seus filhos.Infelizmente muitos são de máscaras,agora falo sem excessão de doutrina,não importa se é católico ou protestante,muitos colocam a bíblia debaixo do braço,tudo bonitinho,mais quando é pra viver através do Evangelho muitos seriam reprovados pois vivem de aparências.Eu já vivenciei estes episódios,quantas vezes eu tive que agir com discernimento e sabedoria,pois realmente nessas horas temos que viver através do mandamento do perdão,não é fácil mais tem que ser assim.
    Temos que nos policiar ,ver qual é a nossa conduta,e procurar ler mais a Palavra de Deus porque só assim é que saberemos enfrentar este tempo de tormenta de perseguição que a igreja católica está sofrendo.

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  7. Leandro FazollaSep 7, 2011 11:34 AM

    Como assim Jesus criou a Igreja Católica Natalia? Não entendi. Concordo plenamente que a Igreja Católica tem séculos de história e uma tradição riquíssima e linda. Mas daí a dizer que Jesus a criou é um pouco de exagero. A Igreja Católica, assim como todas as outras, também foi criada por homens, e isso justifica os erros que cometeu e tentou sanar durante a história. Somos seres finitos e limitados, por isso é tão importante aprendermos com nossos erros. A igreja católica também errou, e também aprendeu muito com isso. Sei que meu comentário não tem muito a ver com o texto em si, mas achei que deveria contribuir com esta reflexão, porque muitas vezes, tentando nos defender das críticas que recebemos, acabamos criticando com igual força e acidez. Se repararem bem, vão perceber que o foco do texto é a gravidade do fato, mais do que quem o cometeu em si. Em pesquisa com crianças para a próxima edição do C3, ouvimos uma frase que pode ensinar muito a todos nós: "Eu acho que Deus não tem religião" (Victor, 11 anos). Quanta sabedoria se esconde na inocência de uma criança...

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  8. Para Leandro Fazzola.

    A Igreja Católica foi criada a partir dos apóstolos de Cristo. Jesus disse: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela". (São Mateus 16,18)
    Jesus não disse minhas igrejas.
    Quanto a Igreja Católica ter errado, na verdade quem errou foi o homem (passível de erro).
    Nós católicos cremos que nossa Igreja é a Igreja de Cristo, graças a Deus.
    Deus não tem religião, mas religião é religar-se à Deus, se isso não for bem compreendido ficamos achando que basta "ter uma religião" que estamos no caminho certo.

    As várias denominações religiosas, cada uma com sua "verdade", deveriam pensar mais sobre o que Jesus disse à Pedro. Se houver algo errado em nossa Igreja (digo pelos homens)devemos tentar consertar e não fundar outra, que nos cabe melhor. Infelizmente, além de fundarem outras religiões, os homens costumam se afastar dos que não se encaixam em suas novas doutrinas, fazendo o caminho inverso do que Cristo ensinou.

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