Espiritualidade como possibilidade de uma sociedade mais justa


Várias dimensões estão presentes na complexidade do desenvolvimento do ser humano e de sua história, e uma delas é a espiritualidade.
A espiritualidade está diretamente ligada à dimensão antropológica da necessidade da pessoa e sua relação com o transcendente. Falar da espiritualidade não necessariamente é falar de religiosidade. Muitas vezes homens e mulheres que assumem uma religião e professam um credo ficam na periferia da vida espiritual, não alcançado um estado de consciência maior de sua relação com o sagrado e a implicação do mesmo com a realidade em que vive; se ajustando apenas aos conjuntos de normas e preceitos da mesma. Exemplo: o Brasil é um país de maioria cristã e, portanto tem como fundamento o amor a Deus e aos irmãos através do modelo de seu mestre e salvador Jesus Cristo, mas nem por isso deixa de ser uma das nações mais desiguais do planeta. Portanto a religião nem sempre leva a espiritualidade.
A espiritualidade é responsável por dar sentido a aquilo que buscamos, realizamos e conquistamos. Sem ela, pode acontecer que em um determinado momento tenhamos dificuldades de seguir em frente, mesmo que não haja nenhum grande problema.
A espiritualidade faz com que o ser humano reconheça a sua existência como algo maior que aquilo que pode compreender e sentir, como: perceber a presença do outro ser humano como alguém que possui necessidades semelhantes a sua e também a riqueza da vida e do mundo que o cerca, criando assim uma maior consciência de si mesmo e dos valores essências a construção de uma sociedade justa e fraterna.
O desenvolvimento econômico, a educação, melhores condições de vida, melhor distribuição de renda associada a outras iniciativas podem elevar e melhorar a vida do ser humano, mas acredito que isso só se dará de forma mais plena e igualitária quando associada ao desenvolvimento espiritual, pois esta dimensão ajuda no amadurecimento humano e na busca de um sentido para sua existência, ajudando a construir uma maior auto-responsabilidade e culminando em uma maior responsabilidade social, por parte dos cidadãos e suas lideranças políticas e religiosas.
 Para que isso aconteça e preciso tomar a iniciativa de uma abertura para perceber que a realidade é maior do que a capacidade que a temos de compreendê-la, assumir um compromisso de dialogar com o diferente, com o novo, com aquilo que inicialmente nos agride e nos parece distante de nossa realidade pessoal e experiência de vida. Ter nossas próprias convicções, mas não se fechar para as convicções dos outros, perceber o todo e compreender que a soma das partes é maior do que o mesmo. 

1 comentários:

  1. Gostei muito desta matéria. De fato, muitos dos que se dizem cristãos permanecem na periferia da espiritualidade pensando que somente o cumprimento de ritos é o suficiente. É preciso o envolvimento com os ideais cristãos, já que Cristo deixou-nos seu legado. Lembro-me muito de São Francisco de Assis, de seu processo de conversão. Para São Francisco, Deus estava em tudo, no irmão sol, na irmã lua, no irmão lobo. Ver o rosto e o amor de Deus em tudo é despertar para o espiritual, mas não basta somente vermos Deus, temos que seguir seu exemplo, assim como fez São Francisco.A espiritualidade é um aprendizado diário e constante, não há "a conclusão do aprendizado", pois quanto mais desenvolvemos a espiritualidade, temos mais certeza de que muito nos falta. É esse caminhar seguro e constante que nos levará ao céu. Palavras de um leigo!

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